
O solo é composto no seu interior de rochas e outras partículas que não preenchem todo o seu conteúdo. Estas áreas são ocupadas pela água, que lá chegam pelas infiltrações, principalmente, oriundas da água da chuva, formando um lençol de água subterrânea. Na maioria das vezes, está em grande profundidade; água doce e potável, plena fonte de vida. O uso de poços vem de povos muitos antigos. Abraão mesmo cavou um poço que foi tomado à força pelos servos de Abimeleque, rei dos filisteus, o qual Abraão requereu.
“Abraão, porém, repreendeu a Abimeleque por causa de um poço de água, que os servos de Abimeleque haviam tomado à força. E disse Abraão: Tomarás estas sete cordeiras de minha mão, para que sejam em testemunho que eu cavei este poço.” (Gênesis 21. 25,30)
O que encontramos neste fato é perceber pessoas tentando se apoderar, usufruir da água de um poço que outros cavaram. Cavar um poço nunca foi algo trivial; exige técnica, preparo e muito esforço, especialmente em tempos antigos, com tecnologia limitada. Entretanto, existiam e existem pessoas tentando usufruir de água doce, de poços, esquivando-se do labor, do trabalho, do suor de cavá-los.
Penso, particularmente, que devemos cavar poços para nós mesmos. Há pessoas querendo viver e beber dos poços dos outros, mas não se preocupam de cavarem seus próprios poços. É possível começar a cavar um poço em seu local de trabalho, fazer daquele lugar um grande manancial para lhe saciar e lhe suprir muitos anos. É preciso cavar um poço em sua igreja, para fluir salvação a todos os seus familiares e plenitude de vida a você mesmo. É preciso cavar um poço da sua vizinhança e amigos, para fazer brotar alianças eternas. É preciso cavar poços na sociedade produzindo algo de bom para o bem comum. É preciso criar, inventar, imaginar para produzir água doce e pura para minha vida e para a vida dos que amamos. É preciso cavar poços.
É muito importante cavarmos nossos próprios poços, para não ficarmos dependentes da água dos outros, do esforço de nossos avós, pais e quem quer que seja. Há pessoas que recebem casas de herança, e 50 anos depois nada ali mudou; o tempo simplesmente parou. Há pessoas que presidem igrejas com há mais de 50 anos onde também nada mudou, mas o poço continua o mesmo como era quando alguém o cavou. Há pessoas que administram a mesma empresa, com o mesmo tamanho, que foi na época do pai, e do avô. Bebendo água de um poço que não cavaram. É preciso cavar os próprios poços.
Há pastores, padres, líderes e membros, que não se sujeitam a igrejas e comunidades pequenas, mas querem algo já consolidado, fortalecido e estruturado, não querem cavar poços, mas usar o poço já cavado.
Na essência do multiplicar, creio que o Senhor Jesus nos enviou a cavar poços para saciar a nossa própria sede, assim como daqueles que amamos, com os nossos próprios poços, com a força de nosso próprio braço. É preciso abrir frentes, produzir progresso, empurrar a vida para frente. É preciso cavar os próprios poços.
Não sejamos pessoas vivendo de poços já cavados, mas cavemos nossos próprios poços que produzirão água da vida, pura e cristalina para nossa própria felicidade, para que digamos como Abraão: “que todos sejam testemunhas de que eu cavei este poço”.
Gilberto Horácio
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