
A imprensa nestes dias tem divulgado e comentado as polêmicas fotos que mostram o jogador Rodaldinho com alguns quilos a mais e uma “barriguinha” que em nada lembra o Ronaldo Fenômeno, eleito melhor jogador do mundo. Estão dizendo que ele está definitivamente fora de forma. Eu digo, que na realidade ele está na fase “fora de cena”.
Não sou psicólogo, mas gosto de observar o comportamento humano. E tenho concluído que todas as pessoas tem um período em suas vidas que chamo de fase de “sair de cena”.
É óbvio que isso fica mais evidente quando o indivíduo é famoso. E, quanto mais famoso, mais evidente isto ficará. Cantores, atores, políticos, grandes profissionais, líderes comunitários, etc., surgem de repente, crescem, empenham tudo de suas vidas em objetivos, metas, ideologias e quando estão em momentos de máxima exposição e evidência da própria imagem e trabalho, simplesmente, quer por motivos não calculados, ou por livre e espontânea vontade, simplesmente saem de cena, desaparecem, somem e se isolam. Alguns só retornarão muitos anos depois, outros jamais retornarão à evidência, simplesmente por não desejarem, ou não terem força para retornarem ou começarem do zero. Por que isso acontece?
Tenho observado que as pessoas têm o hábito, mesmo que involuntário, de colocarem e projetarem nos outros aquilo que não são, mas que gostariam de ser. E isso faz com que comecemos a projetar em outras pessoas que estão em evidência expectativas de que eles devem ser perfeitos, modelos de atletas, modelos de cristãos, modelos de pastores, modelos de cidadãos, modelos de políticos ideais, perfeitos e admiráveis. E isso faz com que estas pessoas recebam sobre seus ombros fardos que a maioria não quer mover nem mesmo que o dedo, mas querem que aqueles que estão em evidência carreguem. Isso acaba forçando que pessoas públicas acabem psicologicamente tendo que fabricar dentro de si um “eu perfeito” que agrade a todos mesmo que não seja eu mesmo. E isso pode ser tolerado por alguns anos, por algum tempo, mas não todo o tempo. Até que se percebe e se entende que para ser “eu” “novamente” e/ou “somente”, é preciso “sair de cena”. Isso geralmente acaba acontecendo em uma fase da vida que chamamos de fase da maturidade. Já ficaram para trás um pouco do espírito aventureiro e inexperiente de jovem sonhador. Começa-se a perceber que a vida é breve e se não se viver o “eu” verdadeiro ele morrerá mesmo, assim como o “eu” fabricado.
E o melhor caminho é o reencontro consigo mesmo. E isso é concretizado quando saímos dos holofotes e no isolamos um pouco, repensando melhor a vida, reavaliando os próprios conceitos e ideais e redirecionando, se preciso for, para novos alvos.
Tente lembrar de bandas famosas, grupos, cantores, políticos que surgiram de repente e de repente também desapareceram. Certamente você se lembrará de muitos. Talvez você mesmo esteja passando a fase “da caverna”. É preciso tirarmos o máximo de aprendizado e de proveito quando passamos por essa fase. É uma oportunidade de reciclagem, de colocar as coisas no lugar, principalmente em nossa mente, para que quando voltarmos ao palco da “vida vista por todos” possamos refletir nossa própria e verdadeira imagem. Afinal o mais belo e precioso em nós é o que realmente somos. A esse as pessoas devem gostar e amar, principalmente nós mesmos.
Um comentário:
Também vivi isso e hoje estou retornando com mais força após repensar a vida e meu sonhos.
Patrícia Medeiros de Maringá
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